“Terapia do Perdão” apoia familiares de dependentes químicos

 De acordo com um estudo feito pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), mais de 28 milhões de brasileiros têm algum familiar que é dependente químico. A dependência é uma doença crônica, causada pelo uso constante de drogas ou álcool. Com o uso frequente, o cidadão torna-se um viciado. A partir daí, surgem os problemas familiares.

Visando amenizar esses conflitos, Nelson Nunes de Oliveira, hoje com 79 anos, era dependente alcoólico e chegou ao Centro Espírita André Luiz (Ceal) no ano de 1974. Buscando ajuda para si mesmo, ele descobriu que sua família também precisava de auxílio.

Com seu próprio vicio, Nelson percebeu a necessidade de ajudar outras pessoas no tratamento. Dessa forma, em 2002, ele iniciou a Terapia do Perdão, que consiste em apoiar os familiares dos dependentes químicos.  Atualmente, cerca de 100 pessoas são atendidas na terapia, mensalmente. “O orgulho e o egoísmo são as chagas da Humanidade. E a mágoa é a pior situação do ser humano. O dependente precisa de uma boa estrutura familiar para sua cura. E o perdão desfaz todo o mal”, explica.

A terapia funciona como um grupo de amparo aos familiares. Há dinâmicas e muita troca de experiência entre os participantes. Cada um expõe sua situação e todos debatem suas histórias. O participante também recebe uma cartilha, contendo 12 passos a serem seguidos, que contribuirão para a assistência de cada um. A terapia dura entre 3 a 9 meses, variando de acordo com cada um. “Ela funciona como os Alcoólicos Anônimos. Mesmo que um dependente não faça o tratamento, seu familiar pode fazer parte da terapia do perdão. Só paro com a terapia quando não puder mais. Assim, o bem não se perde. Sem perdão, não há evolução”, diz.

Ao longo desses anos, Nelson conta que houve vários casos marcantes. Ele lembra de um deles, em que uma mãe tinha 4 filhos menores. O marido dela era dependente e bem violento. Ele bebia muito e era agressivo. Contra vontade, ele colocava todos dentro de um carro e dirigia perigosamente. Com a terapia do perdão, a mãe foi orientada a se impor e a não compactuar com a atitude do marido. Certa noite, o marido se embriagou, saiu como de costume e desencarnou, em um trágico acidente de trânsito.

Nelson finaliza, ressaltando que a ideia da terapia é auxiliar a família, para que ela saiba como reagir diante do caso do dependente. Paralelamente, as pessoas recebem Assistência Espiritual. Qualquer pessoa pode participar do Grupo, que é monitorado por colaboradores do Ceal. A terapia acontece duas vezes por semana – aos domingos de manhã, das 9 h 30 min às 11 h, e às segundas-feiras, das 20 h às 21 h 30 min.

Conheça o site do CEAL: https://www.cealdf.org.br/novosite/

Centro Espírita André Luiz
QE 16, Área Especial “A”
Guará I – Brasília – DF